Iguais, diferentes, e engajados
Crentes com integridade relacional (p.334, Igreja Centrada)
IGUAIS
“Assim, em primeiro lugar, os cristãos devem ser como seus vizinhos na maneira de se alimentar, de se vestir, na forma de se comunicar, na aparência geral, no ambiente do trabalho, nas atividades recreativas e culturais e no compromisso civil. Eles têm uma vida realmente integrada com a de seus vizinhos. Os cristãos também devem ser iguais a seus vizinhos no que diz respeito à excelência. Ou seja, devem ser muito bons no que os outros querem ser bons. Devem ser habilidosos, diligentes, engenhosos e disciplinados. Em suma: os cristãos de uma vizinhança em particular devem, à primeira vista, ser parecidos com as outras pessoas da vizinhança, o que deve trazer uma sensação de tranquilidade para todos. Isso deixa os não crentes abertos a qualquer debate sobre a fé, porque enxergam os cristãos como pessoas que vivem em seu mundo e o compreendem. Isso também acabará por Ihes dar uma noção de como seriam caso se tornassem cristãos. Isso significa que seria proveitoso se um jovem empresário não cristão conhecesse cristãos do mundo corporativo, e não somente pessoas de sua idade, mas também mais velhas e com mais realizações, ou se uma artista mais velha conhecesse artistas cristãs que façam parte de sua geração e também de outras.”
DIFERENTES
Em segundo lugar, os cristãos também devem ser diferentes de seus vizinhos. Nos aspectos mais importantes, os primeiros cristãos eram espantosamente diferentes das outras pessoas; não deveria ser diferente hoje. Os cristãos devem ser marcados pela integridade. Devem ser conhecidos por ser integralmente honestos, transparentes e justos. Os seguidores de Cristo devem ser marcados pela generosidade. Caso sejam empregadores, devem ter menos lucro pessoal para que os clientes e os funcionários sejam beneficiados. Como cidadãos, devem ser filantropos e generosos com o tempo e o dinheiro que doam aos necessitados. Devem considerar viver abaixo de seu potencial estilo de vida. Os cristãos também devem ser conhecidos por sua hospitalidade, recebendo as pessoas em casa, especialmente vizinhos e pessoas necessitadas. Devem o ser marcados pela solidariedade, evitando ser conhecidos como aproveitadores ou até mesmo inescrupulosos nos negócios. Devem ser marcados por uma prontidão incomum em perdoar e buscar a reconciliação, e não por um espírito vingativo ou rancoroso.
Além dessas qualidades de caráter, os cristãos devem ser marcados por valores e práticas contraculturais bem claros. Devem ser castos e devem viver sempre à luz da ética sexual bíblica. Quem não é cristão já conhece essa ética - nada de sexo fora do casamento - , e qualquer incoerência nessa área pode destruir a credibilidade do cristão. Hoje, poucas pessoas que não tenham fortes convicções cristãs vivem dessa forma. As pessoas de fora e não cristãs também observarão como nos comportamos na adversidade. Manter a calma diante do fracasso e da decepção é vital para o testemunho cristão. Por fim, todos perceberão se buscamos igualdade: se estamos comprometidos com o bem comum da comunidade. Francis Schaeffer dá um exemplo de como são esses valores contraculturais:
“A Bíblia ensina claramente o direito à propriedade, mas tanto o Antigo Testamento quanto o Novo dão um realce muito grande ao uso compassivo dessa propriedade. Se os empregadores fossem cristãos fieis à Bíblia e a sociedade percebesse que eles ficam com menos lucro para que os trabalhadores recebam bem mais do que a "remuneração do mercado", o evangelho seria mais bem-sucedido ao redor do mundo do que se os lucros do empregador cristão fossem iguais aos dos empregadores não cristãos, com grandes doações sendo então destinadas a escolas evangélicas, missões e outros projetos. Não estou minimizando a centralidade da pregação do evangelho ao mundo inteiro, nem minimizando o valor das missões. Estou dizendo que há outras maneiras de proclamar as boas-novas.!!”
ENGAJAR
Além de sermos iguais aos outros e diferentes deles, os cristãos também devem se engajar com seus semelhantes. Para o cristão contextualizado, missão é uma questão do dia a dia, de desenvolver relacionamentos significativos com vizinhos, colegas e com outras pessoas na cidade.
Ofereço abaixo algumas maneiras práti cas e simples de fazer isso:
Engajamento com vizinhos
• Faça caminhadas regulares pela vizinhança com o objetivo de conhecer pessoas. Mantenha um horário regular, Vá aos mesmos lugares, à mesma hora, fazer as compras da semana, cortar o cabelo, tomar um café e coisas assim. Essa é uma das maneiras mais eficientes de conhecer os moradores da redondeza.
• Descubra maneiras de conhecer os residentes de seu condomínio ou vizinhança - em alguma área comum de atividade, em reuniões de condomínio e de várias outras maneiras.
• Descubra algo que goste de fazer ou um hobby do qual participar com outras pessoas da cidade. Por exemplo, faça parte da associação comercial da cidade em vez de criar um "clubinho" de comerciantes cristãos.
• Busque maneiras de organizar um time esportivo no bairro.
• Ofereça-se como voluntário, juntamente com outros vizinhos. em hospitais, orfanatos ou programas de assistência social de seu bairro/cidade.
• Se você tem filhos, envolva-se na programação da escola e faça amizade com outros pais.
• Participe dos eventos da cidade: campanhas beneficentes, festivais, mutirão de limpeza, shows, concertos etc.
• Sirva a vizinhança. Recolha o lixo que encontrar na rua, limpe a pichação nos muros. Envolva-se na associação do bairro. Faça amizade com os vizinhos (especialmente os idosos) e descubra maneiras de ajudá-los.
• Seja hospitaleiro com os vizinhos; quando for o caso, convide-os para um lanche, para assistir a um filme em sua casa etc.
Engajamento com colegas e amigos
• Divirtam-se juntos: assistam a um jogo (no próprio lugar do jogo, pela televisão ou na quadra da vizinhança); vão juntos ao teatro, ao museu, a uma galeria de artes etc.
•Convide-os para formar uma liga esportiva com você.
•Convide-os para frequentar a você. Academia com você.
•Planejem uma noite de filmes juntos.
•Saiam para comer juntos sempre que possível. Convide-os para tomar um lanche em sua casa ou apartamento, ou simplesmente convide-os para experimentar unm restaurante novo.
•Planejem viagens ou saídas: um dia na praia, no museu etc.
•Se alguém tem um hobby ou interesse especial, peça-lhe (de coração!) que o instrua no assunto.
•Organize um grupo de debates sobre algum tema: política, um livro etc., e convide especialmente não cristãos.
Parte do engajamento é o desejo de se identificar como cristão. O relacionamento sem essa identificação poderia ser classificado de “abordagem disfarçada”. Muitos cristãos vivem no mundo social de não cristãos, mas não pensam muito sobre as necessidades espirituais dos amigos, nem se identificam como cristãos perante eles. O desejo principal desses cristãos é serem aceitos e não ser vistos como diferentes. Mas essa abordagem não integra a fé aos relacionamentos do cristão no mundo.
O oposto também pode acontecer. É certamente possível alguém se identificar como cristão sem se engajar com as pessoas fora da igreja. Esses cristãos estão cientes do estado de perdição das pessoas e talvez dialoguem sobre a fé, mas seus relacionamentos com não crentes são normalmente superficiais. Poderíamos chamar isso de “abordagem da bolha cristã”. Nesse caso, os cristãos preenchem todos os seus relacionamentos importantes, fora do trabalho, com outros cristãos, e seu tempo é usado em atividades cristãs, sem se envolver com o mundo lá fora. Não buscam oportunidades de aprender com os não crentes, de apreciá-los, apoiá-los e servi-los - assim, independentemente de quais sejam as crenças desses cristãos, as pessoas de fora da igreja não percebem que elas são importantes para eles.
Quarenta anos atrás, a maioria de nós conhecia homossexuais, mas não sabia disso porque ninguém tocava no assunto. Consequentemente, era possível aceitar estereótipos a respeito deles. Hoje em dia, a maioria dos jovens tem amigos homossexuais, e, assim, é mais difícil crer nos estereótipos ou generalizações sobre eles. Creio que talvez a maioria dos céticos urbanos com os quais converso hoje tem amigos cristãos, mas nem desconfiam disso, por que atualmente temos mais medo de ser identificados publicamente como cristãos. Nesse sentido, muitos cristãos de hoje são iguais aos homossexuais do passado; assim, é muito natural que as pessoas aceitem caricaturas e estereótipos sobre os cristãos, pois eles não estão se identificando como tais. Para crer, o cético precisa de mais do que um argumento; ele precisa observar pessoas inteligentes e admiráveis, além de entender que grande parte do que as torna assim é a fé. Ter um amigo crente a quem se admira torna a fé mais acessível.
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